
Depois de várias semanas a ser alvo de críticas e ataques sucessivos por parte dos treinadores do Real Madrid e do FC Porto, o treinador da AS Roma, Diogo Bravo, decidiu conceder uma entrevista ao Elite League Journal.
Num tom bastante relaxado, Diogo Bravo disponibilizou-se para responder a algumas perguntas sobre o campeonato, focando as partidas com o Real Madrid e o FC Porto, o fraco momento de forma da equipa, as pretensões para esta época e o futuro da AS Roma.
Jornalista - Muito boa tarde, Mister Bravo. Queria começar já por lhe perguntar o porquê de se ter mantido em silêncio durante tanto tempo, após as graves acusações do treinador Papi Carneiro em relação ao jogo no Olímpico de Roma...
Diogo Bravo - Um treinador de futebol deve estar concentrado na sua equipa, sujar as suas chuteiras todos os dias nos treinos, acompanhar o desenvolvimento dos jogadores diariamente, e não entrar nestas guerras de palavras diariamente. Sou um treinador bastante ocupado, pois participo diariamente nos treinos, apoio o coordenador da nossa fabulosa academia de jovens e participo activamente em cada contratação efectuada por este grande clube. Não consigo entender como há treinadores que têm tempos para fazer alianças uns com os outros... Isto é um trabalho sério, não estamos a jogar ao keims no jardim do Marquês...
Jornalista - E relativamente ao jogo em que a sua equipa recebeu o Real Madrid, no Olímpico... Quer falar um pouco dos acontecimentos retratados pelo Mister Carneiro?
Diogo Bravo - Obviamente que sim, a nossa instituição nada tem a esconder... Quando o Sr. Carneiro se refere ao facto de aos adeptos do Real lhes ter sido vedada a entrada no Olímpico, se calhar deveria debruçar-se mais nas razões que justificaram essa situação. Porque razão os adeptos do Real viajam de camioneta de Madrid até Roma sem qualquer acompanhamento policial? Á polícia italiana não foi nada comunicado... Os adeptos do Real saquearam estações de serviço ao longo de todo o seu percurso... Os stocks de Maltesers, bolos de arroz e Trinaranjus de Maçã ficaram a zero na maior parte das estações... E estes autênticos, se me permite a expressão, vândalos, ainda tentaram entrar no estádio munidos com petardos, bandeiras fascistas, very lights e armas brancas. A polícia italiana não pactua com estas situações, temos tolerância zero para esses falsos adeptos. Os verdadeiros adeptos do Real conseguiram ver o clube do seu coração tendo inclusivé a direcção disponibilizado uma secção melhor para eles. Em relação a facto de não terem tido água quente no fim do jogo, tal deveu-se ao facto de alguns jogadores do Real gostarem de tomar banho antes e depois do jogo e também ao intervalo... Aqueles cabelos não ficam assim com ar tão molhado só por obra do Espírito Santo... Haviam de ter visto a quantidade de frascos de shampoo, gel, cera, laca e cremes que ficou espalhada no balneário no fim do jogo... e cascas de banana e côcos... Essa gente não tem qualquer tipo de respeito, nem por eles nem pelos outros...
Jornalista - Mas Carlos Carneiro também falou no facto de a sua equipa apenas ter tido uma hora para se preparar antes do jogo...
Diogo Bravo - Sim, isso é verdade. Foi uma luta muito árdua para tentar dissuadir o Lass, o Cristiano e o Sérgio Ramos das suas pretensões de terem jacuzzis privados para cada um no balneário. E pétalas de rosa no chão, saquinhos de alfazema para as suas meias, e bolas de naftalina para os seus blazers...Só após muita conversação com o Director-Geral do Real é que conseguimos que essas "estrelas" cedecem nalgumas das suas exigências e aceitassem os balneários do nosso estádio de 5 estrelas. Fiquei a admirar imenso o administrador do Estádio Santiago Bernabéu depois de ter contacto com estas pessoas.
Jornalista - Qual a sua relação com Carlos Carneiro nesta altura?
Diogo Bravo - Acho que o Sr. Carneiro deveria ter um pouco mais de humildade no seu discurso. A qualidade de um treinador não se mede pela quantidade de Renault 5 que tem na garagem ou pelo número de bifanas que consegue comer num minuto. O seu carácter, humildade e relacionamento com jogadores e colegas de profissão são das características mais importantes para se chegar ao sucesso. E, pessoalmente, acho que o Sr. Carneiro está a ser muito mal aconselhado ao aliar-se a outros pseudo-treinadores que não representam em nada a cultura que o Sr. Carneiro e o seu Clube representam.
Jornalista - Está a falar de Alvarez Maradona?
Diogo Bravo - Desculpe? Quem?
Jornalista - O treinador do FC Porto, Alvarez Maradona...
Diogo Bravo - Ah sim, esse. Já sinto dificuldades em memorizar todos os treinadores do FC Porto, tanta é a rapidez com que são despedidos... Talvez esse senhor que tem nome de deus, mas que a jogar á bola parece o Emplastro, deva ser mais cauteloso no seu discurso, pois tem muitos telhados de vidro. A AS Roma apresentou uma queixa na FIFE, pelo facto de o nosso treinador-adjunto, o Nikolic, ter sido agredido ao intervalo, no túnel do Estádio do Dragão. Foi ele e dois jornalistas italianos da Gazzetta Dello Sport e da secção italiana do Norte Desportivo, que acompanhavam a nossa equipa. Penso que esse senhor, o Guarda Abel, já deveria ter sido impedido de frequentar as instalações do clube há muito tempo. E nem quero falar no cheiro intenso a aguardente que se fazia sentir no balneário aquando da nossa entrada. Os nossos jogadores equiparam-se no túnel de acesso ao relvado... Já tinhamos sido informados por outros clubes que esta situação era muito frequente nos clássicos jogados no antigo Estádio das Antas, mas quisemos acreditar na boa vontade e respeito do clube adversário. Mas parece que, mais uma vez,o poder do Sr. Pinto da Costa vai muito além da fruta, das meias de leite, e do Calor da Noite.
Mas não quero entrar em mais confrontações, apenas dizer que o resultado foi justo para a equipa do Porto. Dominou o jogo e conseguiu ter um excelente aproveitamento das hipóteses que criou. Os meus jogadores acusaram muito o cheiro a marijuana que provinha da Superior Sul, e que se manteve durante todo o jogo. Deparei-me com uma equipa muito desorientada, o De Rossi não me parava de pedir batatas fritas e coca-cola durante o jogo todo, dizendo que se sentia com muita sede e apetite. E tive que substituir o Riise, pois já tinha tido dois ataques de riso incontroláveis, bem aproveitados pelo Varela aos 30' e aos 44' para aumentar a vantagem do Porto. Ainda bem que só jogamos uma vez por ano no Porto, senão tinha que mandar os meus atletas estagiar todos os meses com o Tahar el Khalej, o Naybet e o Chippo. Mas aguardo com ansiedade o jogo da 2ª mão, no Olímpico, pois aí já estaremos bem rotinados e preparados para oferecer um excelente jogo de futebol aos nossos adeptos. E aos do FC Porto que se queiram deslocar a Roma.
Jornalista - Portanto, afirma que a sua equipa ainda não está rotinada...
Diogo Bravo - Certo, temos uma squadra muito experiente, mas um pouco envelhecida. Temos 11 jogadores com 30 ou mais anos. O nosso Deus, Il Capitano Totti, já tem 34 anos, já é um pouco difícil conseguir que ele fique em forma para jogar em todas as frentes em que estamos envolvidos. Mas são estes jogadores experientes que têm que incutir aos mais novos o espírito giallorosso. Ainda estamos á procura do equilíbrio perfeito, a squadra ainda se está a habituar aos meus novos métodos de trabalho, quando cheguei aqui ao Olímpico, os treinos dos jogadores baseavam-se em jogar futvólei e ler os jornais desportivos para criticarem os outros clubes... Disse-lhes logo que isto aqui não é o FC Porto! Incuti-lhes cultura táctica e um programa muito minucioso de treino técnico e físico. A juntar a isto tudo tivemos algumas saídas, mas sobretudo muitas entradas...
Jornalista - Pode falar um pouco da sua política de contratações? Tem feito muitas aquisições...
Diogo Bravo - Sim, este é sobretudo um projecto para o futuro. Com a nossa recém-formada Academia de jovens Ricardo Sá Pinto, conseguimos criar uma estrutura no clube que permite o desenvolvimento dos jogadores já com a mentalidade vencedora da nossa instituição. Estes jovens são acompanhados desde muito cedo pelos melhores profissionais e treinadores de jovens do Mundo, nomeadamente o coordenador da Academia, o Prof. Ricardo Sá Pinto, o Prof. Dominguez e o Prof. Folha. Temos investido imenso na contratação de jovens promessas do futebol actual, pois temos um enorme leque de olheiros espalhados pelos 5 continentes, como é o caso do Basaúla, do N'Dinga, do Caccioli, do Bambo, do Valdir, do Dinis, do Laureta, do Fernando Aguiar, do Tanta e do Vinha. Como vê, apostamos forte na pesquisa do mercado futebolístico, queremos dar oportunidades a muitos jovens de poderem fazer aquilo que gostam e de seguirem os seus sonhos.
Jornalista - Então quais são as suas ambições para esta época?
Diogo Bravo - Esta época será sobretudo uma época de maturação das minhas ideias. Não elevo muito as nossas aspirações esta época, penso que os lugares europeus seriam já uma boa meta, mas prefiro pensar jogo a jogo e sobretudo gerir a minha equipa de forma a poder introduzir lentamente os jogadores formados na nossa academia. O nosso objectivo é ganhar a Champions League daqui a 2 ou 3 anos. E se for ao Real ou ao FC Porto ainda melhor (risos)
Jornalista - Muito bem, já ficamos aqui com as primeiras impressões do treinador Diogo Bravo no campeonato. Certamente voltaremos á conversa com o Mister Bravo num futuro próximo, pois a sua equipa parece querer subir de forma e parece não conseguir fugir á inveja dos treinadores adversários.